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domingo, 11 de junho de 2017


Um bom termômetro para se ter a dimensão da importância das cervejas artesanais é o número de eventos, cada vez mais frequentes, relacionados diretamente às cerva caseiras ou provenientes de microcervejarias.

Só nesse final de semana, em Curitiba e região, tivemos dois: 

Entre os dias 7 e 10 (sábado), ocorreu em Colombo o Cout Beer Festival, que segundo cartaz de divulgação, seria a festa caipira mais rock'n'roll de todos os tempos. Um dos destaques desse festival seriam cervejas artesanais. Infelizmente não pude comparecer.

Hoje, dia 11/6, está ocorrendo a 3ª edição da EQ Beer Festival. no Pedrão Lounge Bar (perto do Centro Politécnico). O foco desse evento é dissemir a cultura cervejeira de oito grandes cervejeiros de engenharia química. E contará ainda com apoio da galera da Rádio Treze. Vale a pena averiguar. Eu vou checar!

Em Campinas, ontem, a Toca da Mangava lançou a Fly me to the Moon, uma Barleywine produzida especial para o inverno. Relatos de quem esteve lá confirmam que vale muito a pena conhecer. 

Com a correria do dia-a-dia, acabei não divulgando a tempo. Mas a ideia é reestruturar o blog para que sirva também de agenda em uma aba específica. Aguardem que em breve teremos mudança por aqui. 


sábado, 29 de abril de 2017

Cerveja também é Cultura!

Centro de Cultura Cervejeira Toca da Mangava


Nos últimos anos, com a propagação cada vez maior do hábito de tomar cerveja artesanal, incluindo desde aquelas caseiras, feitas na panela por apaixonados amadores, até as microcervejarias, que ocupam cada vez mais espaço nos bares e mercados, ampliando consideravelmente a oferta em termos de estilos e qualidade, percebe-se que há algo a mais do que simplesmente a bebida em si.

Trata-se de uma cultura cervejeira. E isso envolve curso, encontros, eventos, festivais, enfim...uma série de atividades ligadas diretamente à cerveja artesanal que vai muito além do seu consumo propriamente dito. Em Curitiba, por exemplo, só nesse final de semana, há dois eventos relacionados a isso.

Cartaz do Concurso [2]
Um deles é o IV Concurso Sul Brasileiro de Cerveja, organizado em conjunto pelas Associações de Cervejeiros Artesanais (ACervAs) dos três estados do sul do Brasil (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Nesse concurso serão avaliadas até 400 amostras de cervejas caseiras de diferentes estilos por cerca de 30 juízes BJCP e 30 auxiliares. Aliás, em Curitiba um Grupo de Estudos tem se reunido regularmente com a missão de aprimorar os julgamentos e ampliar o número de juízes BJCP. Imagino que em outros municípios, algo semelhante tem ocorrido. Esse assunto merecerá ainda uma postagem específica [1].

O outro evento, gratuito, ocorre hoje (29/04) no Museu Oscar Niemayer (MON): The Brazilian Way, Promovido pela Way Beer, são oferecidos rótulos de cervejas especiais preparadas com ingredientes regionais, juntamente com música e comidas tipicamente nacionais. Além de rótulos mais temáticos como a Sour Me Not - Goiaba, a Sour Me Not - Acerola, a JabutiGose e a Coffe Brown Ale; a Way ainda vai disponibilizar toda sua gama de cervejas que se destacaram ao longo dos seis anos de história. Em breve, a Way merecerá uma postagem específica nesse blog. A má notícia é que os ingressos estão esgotados. 

Cartaz de Divulgação do The Brazilian Way [3]
E os eventos se sucedem. No próximo final de semana, dia 7 de maio, Campagnolo, da Cervejaria Turbinada (também já relatada aqui) estará no restaurante Terra Preta, em Colombo na Região Metropolitana de Curitiba, para apresentar além de sua cerveja e hidromel, uma receita típica de porco no rolete, visando harmonizar com suas cervejas especiais.

O que ocorre em Curitiba, se repete em outros cantos do país. Em Campinas, por exemplo, a Toca da Mangava, tema na postagem anterior, é um perfeito retrato desse momento. Embora eu tivesse denominado corretamente que se tratava de um Centro de Cultura Cervejeira, acabei não aprofundando esse importante tema. De fato, não é apenas um local onde se faz e toma boas cervejas artesanais, mas há uma série de outras atividades relacionadas à propagação da revolução da cerveja artesanal.

Alfeu Júlio monitorando uma visita técnica à Toca da Mangava

Uma dessas atividades são cursos, como o de Produção de Cerveja Caseira, ministrado pelo Alfeu Julio, com três dias de duração ou o Workshop de introdução ao mundo das cerveja artesanal, com três horas de duração.

No próximo sábado, dia 6 de maio, será organizado um encontro com Matheus Aredes, da Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) de Blumenau tendo como tema lúpulos. Além disso, eventualmente convidam colegas cervejeiros de diversos cantos do país para falarem sobre suas produções em um evento batizado como "Grandes Micro Cervejarias do Brasil" que invariavelmente acaba com uma mini degustação das cervejas do convidado. Já estiveram presente a Bamberg (Votorantim), Dama (Piracicaba), Dortmund (Serra Negra), Sauber (Mogi Mirim) e Votus (Diadema). 

Por fim, ainda existe o um grupo de cervejeiro caseiros que se reúnem uma vez por mês na Toca da Mangava para compartilhar suas criações cervejeiras, tal como eventos da ACervA-PR que ocorrem em Curitiba. Com cerca de 50 inscritos (média de uns 12 por encontro), esses eventos são bem descontraídos e costumam terminar com um racha de pizza entre os participantes.

Tudo isso evidencia como as cervejas artesanais têm, de fato, representado uma verdadeira revolução não apenas na qualidade da cerveja em si, mas sim em hábitos e costumes entre os seus cada vez mais fieis adeptos. Não é exagero falarmos em cultura cervejeira diante do atual contexto.

Notsa: 
[1] Beer Judge Certification Program (BJCP) é uma entidade sem fins lucrativos, fundada em 1985 nos EUA responsável por certificar e qualificar julgadores de cerveja através de exames e monitoramento. Entre um dos principais objetivos está o desenvolvimento de ferramentas, métodos e processos padronizados para uma avaliação, classificação e feedback de cerveja, hidromel e cidra.

[2] Imagem obtida no Boletim Informativo Acerva Paranaense: https://www.yumpu.com/pt/document/view/58150384/boletim-informativo-acervapr-abril-2017

[3] Imagem obtida em https://www.facebook.com/events/2020669608160455/



sexta-feira, 21 de abril de 2017

Toca da Mangava: onde a cerveja e a boa música se encontram


Body and Soul da Toca da Mangava, minha preferida no dia.

No dia 1º de abril, juntamente com grandes amigos, tive a oportunidade de conhecer a Toca da Mangava, um Centro de Cultura Cervejeira (como seus proprietários gostam de definir) em Campinas (SP), mais especificamente no distrito de Sousas. Lugar rústico e extremamente agradável, a cervejaria funciona na mesma casa em que são feitas as cervejas. Um dos seus proprietários, o engenheiro de alimentos Alfeu Julio nos guiou por uma visita pelas instalações, nos apresentando orgulhosamente não só o processo de brassagem das cervejas, mas também contando um pouco da sua história. 

Alfeu Júlio apresentando sua microcervejaria
O nome Toca da Mangava vem do fato de que logo nas primeiras brassagens, tiveram que conviver com uma vespa mangava (conhecida também como mamangava), provavelmente atraída pelo cheiro doce exalado no processo de mosturação. Intrigados, os cervejeiros descobriram que a toca da Mangava ficava exatamente no local escolhido para fazer a cerveja. E descobriram que ainda que a Mangava tem, como característica, o fato de que se trata de um inseto que voa sem que tenha características aerodinâmicas para isso (sua cabeça é muito grande e as asas muito pequenas) [1]. Resolveram adotar o nome então, utilizando a superação da vespa como inspiração para eles.

Naquela ocasião, a Toca da Mangava estava lançando a Mr. Rabbit, uma Robust Porter com cacau. De modo geral, a denominação do estilo Porter (carregador em inglês) tem sua origem no século XVIII quando Ralph Harwood, proprietário de uma antiga cervejaria em um bairro operário de Londres resolveu criar uma cerveja bastante robusta para alimentar os carregadores que ali viviam. Com sabor moderadamente forte, a presença de cacau casou bem com malte queimado, dando à cerveja uma aparência bem escura e uma espuma bege. Quem tiver interesse em conhecer, nesse final de semana (de 21 a 23 de abril), a Toca da Mangava está participando do Festival Cultura Cervejeira em Campinas.

Mr. Rabbit teve seu nome inspirado em uma canção. Trata-se de uma música folk que foi brilhantemente gravada em 2002 por Paul Westerberg, no álbum Stereo. Ex-vocalista dos Replacements, banda de punk rock dos anos 1980 de Minneapolis, EUA, Paul Westerberg fez um arranjo bem consistente a essa canção, agora imortalizada na cerveja. 

Assim como a Mr. Rabbit, lançada naquela ocasião,  as demais cervejas feitas na Toca da Mangava têm seus nomes de batismo inspirados em canções (inclusive tem uma lista no Spotify para que possamos escutar suas cervas - procurem a playlist "TOCA Inspirações"). Aproveitando a opção que o cardápio dispunha de uma degustação geral, experimentamos as outras cinco cervejas, começando pela Move, designada como sport beer devido à sua leveza e baixo teor alcóolico, que leva o nome de um clássico do jazz de Denzil Best, imortalizada por Miles Davis.
As outras quatro cervejas, que fazem parte do portfólio fixo, são as seguintes:

  • Pretty Woman -  um blonde ale que homenageia  esse rock de Roy Orbison dos anos 1960 (e regravado por vários outros, incluindo Van Halen);
    Summertime, a APA bem assertiva, da escola americana
  • Body & Soul - uma belgian blond ale (a que mais apreciei no dia) que presta justa homenagem a esse clássico do jazz, conhecido tanto pela interpretação de Sarah Vaughan, como também por um dueto espetacular de Tony Bennett com Amy Winehouse (vale a pena assistir no Youtube, de preferência tomando a cerveja)
  • Summertime - uma APA com sabor bem assertivo. Uma das melhores canções de George Gershwin, tantas vezes regravadas por vozes das mais diversas (eu, particularmente, tenho a interpretação da Janis Joplin como uma das melhores músicas da história).
  • Black Bird - uma Porter, batizada em homenagem a uma das mais belas composições do Paul McCartney, que teve como inspiração os conflitos raciais da década de 1960 nos EUA.

Toda essa relação da cervejas da Toca da Mangava com a música é algo natural. Seu mestre cervejeiro, Alfeu Julio, tocava cavaquinho e fazia vocal no  grupo Bons Tempos, um excelente conjunto de samba de raiz, Em 2005, o Bons Tempos gravou um excelente CD e DVD do espetáculo "Ary, o Brasileiro", baseado na obra de Ary Barroso. No Youtube é possível assistir um pouco o lado artístico desse cervejeiro: https://www.youtube.com/watch?v=SnAtpnGjtx4

Grupo Bons Tempos (Alfeu é o 4º da esquerda pra direita) [2]

Mais recentemente (em 2012), Alfeu voltou a subir aos palcos com o grupo Lá se Vão Meus Anéis (com outros dois integrantes do Bons Tempos), tocando clássicos do samba de raíz novamente.

Que Alfeu e seus sócios continuem inspirados por muito mais tempo para nos brindar com outras boas cervejas artesanais que celebrem a boa música. 


Notas:
[1] Informações repassadas por Alfeu Julio durante a visita guiada à fábrica, e que se encontram disponível no site oficial da Toca da Mangava.

[2] Foto obtida em http://www.blognarua.com.br/category/sem-categoria/page/15/. As demais fotos são de minha autoria.